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gamescom latam 2026 – O Evento Continua Gigante, Mas Precisa se Encontrar

Depois de duas semanas sobrevivendo à clássica gripe pós-evento, finalmente chegou a hora de falar sobre tudo o que achei da gamescom latam 2026. Para mim, ela continua sendo aquele tipo de evento que consegue misturar caos, cansaço e empolgação em proporções quase iguais — mesmo depois de me derrubar por alguns dias hahahaha. E, apesar dos problemas bem evidentes desta edição, ainda é difícil negar o quanto a feira segue importante para quem gosta de videogames, principalmente pela oportunidade de encontrar pessoas que compartilham da mesma paixão.

Uma das melhores partes da experiência continua sendo justamente reencontrar amigos, conversar sobre jogos no meio das filas infinitas e viver aquele clássico sentimento de “a internet virou vida real”. A gamescom, desde a época do BIG Festival, sempre teve esse lado social muito forte e, sinceramente, em vários momentos as conversas nos corredores acabam sendo mais divertidas do que os próprios jogos disponíveis no evento.

O contato gamers e devs é um dos pontos mais altos da gamescom

Outro ponto extremamente positivo foi a possibilidade de conversar diretamente com desenvolvedores. Seja em estandes menores ou em áreas focadas em projetos independentes, ainda existe aquele espaço onde dá para ouvir ideias, entender inspirações e perceber o carinho colocado em certos jogos. E falando em indies, mesmo com alguns problemas estruturais da feira, o nível dos jogos nacionais continua surpreendendo bastante. Dá para perceber uma evolução técnica e criativa enorme em diversos projetos brasileiros, mostrando que a cena indie nacional segue viva, talentosa e cheia de personalidade. Inclusive, enquanto eu jogava Keepers of Vyrellia, o próprio desenvolvedor apareceu para conversar, pediu uma foto minha jogando e trocou uma ideia rapidinho sobre o projeto. E sendo bem sincero: o jogo é muito divertido, fica a recomendação hahahaha.

E claro, como toda boa tradição de feira gamer moderna, a lista de desejos da Steam ganhou atualizações suficientes para mais um ano inteiro. Sempre aparece aquele jogo desconhecido que chama atenção do nada, ou algum projeto que você nem sabia que existia e faz você sair do evento pensando: “ok, agora preciso acompanhar isso”.

Mas nem tudo funcionou tão bem desta vez. A redução do espaço dedicado aos indies foi algo bastante perceptível. Em um evento onde justamente os jogos menores costumam trazer as experiências mais criativas, ver menos espaço para eles acabou sendo decepcionante. Além disso, vários jogos presentes já estavam na edição do ano passado, o que trouxe uma sensação estranha de repetição em alguns momentos da feira.

Filas longas e demoradas para pouco retorno ao público

Também chamou atenção a quantidade de jogos abaixo do nível que vinha sendo apresentado nas últimas edições. Não necessariamente jogos ruins, mas projetos que pareciam menos polidos ou menos impactantes do que o público passou a esperar do evento. Desta vez senti que precisei garimpar muito mais para encontrar experiências realmente marcantes. Também notei que houve um aumento bastante visível de lojas e espaços focados em venda de produtos, acessórios e merchandising, deixando algumas áreas com uma sensação mais próxima de um grande shopping geek do que de uma feira voltada para experimentar videogames — me de se tornar uma BGS.

A própria organização física do evento também dificultou bastante a experiência. A separação dos palcos tornou a locomoção cansativa, principalmente para quem queria acompanhar apresentações diferentes ao longo do dia. Em muitos momentos era necessário atravessar áreas lotadas apenas para assistir a algum painel específico, o que acabava consumindo um tempo precioso da feira.

E infelizmente, as filas continuam sendo um dos maiores problemas. Filas enormes, demoradas e, em muitos casos, sem qualquer recompensa que realmente justificasse o esforço. Esperar horas para jogar poucos minutos algo que às vezes nem impressionava tanto acabava deixando uma sensação frustrante no fim do dia.

Ainda assim, mesmo com seus tropeços, a gamescom latam 2026 provavelmente continuará sendo, por algum tempo, o principal evento gamer da América Latina. Talvez esta edição tenha deixado mais claros alguns problemas de direção e organização, mas também reforçou algo que nunca muda: o verdadeiro coração da feira continua estando nas pessoas, nos encontros e na paixão compartilhada pelos videogames.

Entrevista com Maxence Cazorla, de Clair Obscur: Expedition 33

Também gostei bastante de ter visto Maxence Cazorla, o eterno Gustave/Verso/Renoir/Esquie de Clair Obscur: Expedition 33. Uma pena que a entrevista dele no domingo tenha sido tão curta — aquilo merecia pelo menos umas duas horas hahahaha. Ainda assim, foi muito divertido ouvir um pouco sobre como foi trabalhar no jogo e acompanhar a interação dele com o público.

Jogos que mais gostei

Retrace the LightUm jogo que brinca com uma habilidade de “rastreamento espacial”, quase como um teletransporte. O combate é extremamente fluido e divertido, além de ter um visual muito bonito e uma identidade própria.

MIO: Memories in Orbit: Provavelmente um dos melhores jogos da gamescom latam 2026 — e, para variar, feito por um estúdio francês. Esse povo simplesmente aprendeu a fazer jogo bom ahahaha. O jogo é um metroidvania em que exploramos uma gigantesca espaçonave destruída enquanto recuperamos as memórias de Nau.

Colorbound: É um jogo claramente voltado para crianças, mas vou ser sincero: gostei bastante. A forma como ele trabalha os puzzles usando cores para moldar o cenário é muito criativa e deixa tudo bem divertido.

Adventure of Samsara: Talvez tenha sido meu jogo favorito da feira — e ainda consegui pegar o pôster depois de zerar a demo hahahaha. O jogo mistura metroidvania pixel art com elementos de soulslike, colocando o jogador no papel do Campeão Solar em uma missão para salvar o mundo.

Keepers of Vyrellia: Esse eu joguei bastante hahahaha. Um deckbuilder roguelike com uma vibe fortíssima de jogos dos anos 80, onde escolhemos rotas dentro de masmorras enquanto enfrentamos inimigos através das cartas.

Tellyport: Um puzzle game em que atravessar televisões altera tanto o tamanho do personagem quanto a gravidade. Gostei bastante no começo, mas depois de um certo ponto, quando tudo começou a virar de ponta-cabeça, comecei a passar um pouco mal. Ainda assim, é um jogo bem interessante.

Lugh World: Imagine um MMO de Pokémon moderno. Essa talvez seja a forma mais simples de definir o jogo. Ele ainda está em acesso antecipado e senti que as batalhas estão um pouco desbalanceadas, além de algumas mecânicas parecerem meio “cruas”, mas o potencial é enorme.

Blades & Battles: Um ótimo jogo de briga de rua para quem sente saudade dos clássicos, trazendo aquele espírito arcade em um visual 2.5D.

Dreamcards: Um roguelite deckbuilder em que enfrentamos um monstro durante nossos sonhos, sabendo que a derrota significa cair em um verdadeiro pesadelo.

Lyara: Um plataforma lindíssimo, com cenários inspirados em estética asiática. Acompanhamos Lyara em uma jornada para entender mais sobre si mesma e sobre o próprio mundo.

Stackmon: Imagine Pokémon, mas com absolutamente tudo funcionando através de cartas e mecânicas de deckbuilder.

Lia: Hacking Destiny: Neste roguelite de plataforma, o mundo foi dominado por IAs e nossa missão envolve salvar gatinhos enquanto tentamos encontrar uma forma de derrotar as máquinas.

Sigils of Nightfall: Basicamente um roguelike deckbuilder dungeon crawler. Traduzindo: explorar masmorras e enfrentar inimigos através de cartas enquanto tentamos sobreviver o máximo possível.

Litany: Um roguelike focado em montar unidades de combate usando cartas, permitindo tanto adicionar novas tropas quanto fortalecer as já existentes.

The Kindling: Um puzzle game onde literalmente colocar fogo nas coisas faz parte da solução dos desafios.

Rain98: Um dos jogos que mais chamou minha atenção visualmente durante o evento. Acompanhamos Reina, uma garota claramente diferente, e nossas escolhas parecem alterar diretamente a forma como ela reage ao mundo.

Mina the Hollower: Em uma missão para salvar uma ilha amaldiçoada, enfrentamos inimigos usando um chicote. O visual inspirado no Game Boy Color traz uma nostalgia absurda sem deixar de parecer moderno.

Box Knight: Uma mistura de roguelike com briga de rua, além de uma estética que lembra bastante Rick and Morty. Parece muito promissor.

Croak: Um jogo de plataforma onde controlamos um príncipe sapo tentando salvar seu reino. E claro: a língua do sapo vira uma das principais mecânicas e “armas” do jogo, o que deixa tudo bem divertido.